segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Nascido sobre a estrela da morte.



Em 1846, após o fim de uma guerra, no meio dos escombros da cidade onde costumava ser seu lar,  acompanhado de pontos de luzes que somente ele podia ver, foi dessa forma que ele foi encontrado. Um simples garoto que pra viver, havia se juntado a um bando de ladrões que assaltavam viajantes.
Tomado pelo sentimento de inferioridade e de impotência, este garoto nutria um ódio, não só àqueles que destruíram seu lar, mataram família, irmãos e amigos. Mas também pela entidade chamada "morte". Odiava a morte, pois diante dela, a vida humana de nada valia. "Todos somos lixo", foi como ele disse, vidas frágeis ao vento, que nada podem fazer quanto ao seu destino, que é ser consumado, cedo ou tarde.

Um velho, parecendo indefeso foi até ele e o encontrou. Como antigo cavaleiro de Câncer, este velho, "Sage" não teve dúvidas quanto ao potencial do garoto, visto que o garoto, mesmo em tão tenra idade, já era capaz de ver aquelas almas em forma de luz. Sage era capaz de ve-los também e disse ao garoto: -"-Estes são restos de almas, espíritos, sem consciência, daqueles que um dia viveram aqui". O garoto mesmo com uma certa arrogância, impressionou-se com as explicações daquele velho homem. Relutando, aceitou acompanha-lo à um lugar na Grécia, conhecido como "Santuário", onde ele seria treinado.

E o garoto se tornou homem. Não um homem comum. Não, mas um dos doze seletos Cavaleiros, portadores de armaduras de ouro, sendo ele o novo protetor da casa de Câncer, no lugar de Sage, seu nome; Manigold de Cancer. Estes doze eram tidos como os mais poderosos dentre os cavaleiros das 88 constelaçoes do céu, e capazes de feitos ainda mais poderosos que os cavaleiros das 108 estrelas malignas ou mesmo das 36 estrelas celestiais.
Apesar de nunca ter tido um bom exemplo de boa conduta, Manigold tinha traços fortes, arrogante e cruel com seus inimigos, mas daria sua vida para proteger seus companheiros, e foi justamente por isso que ele, ao conseguir uma brecha entre as dimensões dos homens e dos deuses, sem pensar duas vezes, entrou em confronto com um deus, o deus que controla a Morte.

Sua vida inteira fora para esse momento, era esse deus que ele desejava enfrentar, aquele que despreza os humanos, e mesmo perante ao poder inversamente igual ao do deus, ele não recuou, nunca recuaria, estava ali, e morreria ali, mas não sem antes acertar o maldito deus a quem odiara desde criança.

O deus, sem ao menos o dar chance expôs a abertura do caminho dos deuses que leva para uma dimensão que fragmenta qualquer coisa que possua matéria atômica, e uma força o arrastou até os limiares deste lugar quando seu mestre interviu. Portando, dois dos 108 selos sagrados, banhado ao sangue da antiga encarnação de Athena, ele selou a abertura. É ali que fica claro o relacionamento que existe entre os dois, ambos trajaram a armadura de ouro de câncer, ambos viram todos seus amigos e companheiros morrerem diante daquele deus. O deus logo desfaz-se dos selos sagrados e reabre a entrada, e Manigold brinca:
"-Mestre, essa é a hora que devo me desesperar"
e Sage rebate
"-Desespero? Por que usou essa palavra numa situação dessas? Lembra a primeira vez que lhe levei ao limiar do mundo dos mortos? De todas aquelas almas sendo arrastadas para onde deve se abandonar toda a esperança? Elas ainda estavam conscientes Manigold, aquilo é desespero. Então não use essa palavra de forma tão leviana, eu treinei você a vida inteira para se tornar tão poderoso quanto eu, e sempre soube que você treinou sua vida inteira só por esse combate, então não fale em desespero, você mais do que ninguém estamos preparados para isso, ainda temos nossas cartas na manga"
Ele olha para seu mestre com admiração e responde.
-O senhor é tão preciso que até assusta, mestre.

O deus fortalece o ataque e Manigold logo é arrastado contra a abertura parecendo desesperado devido sua morte certa, mas quando chega bem perto do deus, com um sorriso fala "-Brincadeirinha", e o golpeia varias vezes no rosto, e começa a cair, ele olha para seu mestre e fala
"Viu essa mestre? Eu disse que ia socar a cara desse maluco"
Isso enfurece o deus que então faz a invocação de espíritos  malignos, que se prendem à eles, e começam a drenar ferozmente sua energia vital, Manigold tinha perdido uma perna, que cruzou a linha dos deuses quando socou o deus, e mesmo sendo atacado pelos espíritos, se põe de pé e olha para o deus, e rindo fala
"-O deus ai cometeu um grande erro" e pronuncia, em um dialeto muito antigo "Sekishiki Konsou" que significa algo como "queima dos espíritos", que caracteriza-se como um poder que usa almas e espíritos como pólvora,  e com a quantidade enorme de espíritos no lugar o ataque é devastador, ferindo diretamente a alma do deus que cai enfraquecido. O deus olha para eles e vendo Manigold com o indicador erguido, fala:
"-Eu sei o que pretendem, já vi essa técnica várias vezes em eras mitológicas, mas saibam que mesmo separando minha alma deste corpo temporário ainda sou um deus, este corpo serve com o único propósito  interagir com outros humanos."
Manigold pronuncia sua técnica: "Sekishiki Meykay Ha", algo como "Mergulho das almas / Sepultamento da almas" e completa:
"-Não importa, ainda assim você, agora, é só uma alma, frente à nós, protegido pela constelação de Câncer, o caranguejo que foi levado pessoalmente pela deusa Hera até a constelação do presépio para cuidar de toda as almas, e minhas técnicas, são, mas não se resumem à só, lidar com almas, mesmo à de um deus. O deus, conforme Manigold foi falando, entendeu tudo e demonstrou seu semblante de preocupação, percebendo o perigo que corria, tenta voltar ao corpo, mas Manigold abraça o corpo e se joga contra  a abertura dos deuses e fala volte para seu antigo dono Câncer, Manigold e o corpo sem a presença do deus se esfarelam, restando apenas a armadura de Câncer. Sage grita de desespero a morte de seu pupilo, e o deus fala:
Nunca perdoarei voces, posso me apossar de qualquer corpo, e vou me apossar do seu agora, e imediatamente entra no corpo de Sage que cai de joelhos.
Neste momento Sage ergue a cabeça e fala:
"-Que houve "deus"? Vejo que não está conseguindo controlar o corpo deste velho decrepito..."
E o deus em tom de fúria indaga:
"-Que? por que?"
Neste momento, Sage expõe a armadura de Altar que vestia sob seu turbante e fala.
"-Esta armadura é conhecida por ter a capacidade unica de proteger seu portador, todo ataque, seja fisico ou espiritual é em maior parte absorvido e preso à ela, eu sabia que voce tentaria apoderar-se do meu corpo...
E o deus continua:
"-Como?? Quer dizer que tudo isso foi planejado desde o começo? Voces conspiraram desde o começo contra um deus, voces nunca serão perdoados, cuidarei pessoalmente das almas de vocês, não posso controlar totalmente seu corpo, mas com o bastante que tenho vou te destruir de dentro para fora."
E neste exato instante o sangue de Sage começa a jorrar de seu corpo, e ele fala:
"-Sim planejei tudo, mas cometi um erro, não era para Manigold ter morrido, em todo caso, tenho isso."
Mostrando uma pequena caixa que continha selos sagrados, Sage abre a caixa e alma do deus é apreendida.
Sage se levanta e fala:
"-Acabou deus... Ficará preso aqui por muitos séculos."
Sage caminha em direção a armadura de Cancer e fala:
"Novamente voce está sosinha Cancer, seu portador, Manigold, foi um homem grandioso, nascido sobre o presépio da estrela da morte, um homem que teve a estrada manchada de sangue perdas e dor, mas que apesar de tudo provou que um homem com determinação, nem mesmo por um deus pode ser sub-julgado."
Neste momento um ponto de luz deixa a armadura de Cancer e a voz de Manigold fala:
"-Viu mestre... Eu sempre disse que um dia daria um chute na bunda desse deus fajuto"
-Sage sorri e fala
"-Ora Manigold, seu malcriado, e eu nem se quer por um segundo, duvidei disso."